Ainda é novembro e você já sente. As luzes começam a aparecer nas lojas, alguém pergunta o que você vai fazer na ceia, aparece o convite para o almoço de família, e sem você entender direito o peito já aperta. Era para ser época de alegria, e o seu corpo responde com aflição.
Se é assim com você, não é só uma sensação e você não está sozinha. O fim de ano mexe com muita gente, e tem motivo. Vou te explicar por que isso acontece, por que logo nessa época, e o que dá para fazer para atravessar as festas sem se perder.
Neste artigo
- Por que a ansiedade aperta no fim de ano
- O fim de ano é um gatilho: o seu corpo reconhece a data
- As lembranças de outros Natais
- O convívio familiar: a mesa por obrigação
- O que fazer para atravessar as festas
- Quando a ansiedade do fim de ano não é só do fim de ano
- Perguntas frequentes
- O fim de ano não precisa apertar todo ano
Por que a ansiedade aperta no fim de ano
O fim de ano junta tudo de uma vez. É o balanço do ano, aquela conta do que você prometeu e não fez. É a correria, as compras, os compromissos todos amontoados. É a expectativa de que tem que estar feliz, reunida, grata, e a culpa quando você não está. E é a comparação, a sua vida ao lado da vida que os outros mostram.
Fala-se muito, nessa época, de uma tal "síndrome do fim de ano", e o nome é só um jeito de dizer o que você já sente na pele: dezembro pesa. Mas no que eu observo no meu trabalho, existe uma camada mais funda que quase ninguém toca, e é dela que eu quero te falar.
O fim de ano é um gatilho: o seu corpo reconhece a data
Repare numa coisa. Essa ansiedade costuma voltar todo ano, mais ou menos na mesma época. Não é coincidência.
O corpo não guarda só as cenas do que a gente viveu. Ele guarda o cheiro, guarda a música, guarda o sabor da ceia, guarda a temperatura, guarda a data. E o fim de ano é cheio desses marcadores. O cheiro da comida de Natal, a música que toca em toda loja, a mesa posta, o calor de dezembro. Quando esses sinais chegam, o corpo reconhece, e traz de volta tudo o que ficou ligado a eles.
Por isso a ansiedade parece surgir do nada, mas não é do nada. É um gatilho. O seu corpo está reagindo a algo que ele associou àquela época, muitas vezes sem a sua cabeça nem perceber.
As lembranças de outros Natais
É aqui que o fim de ano dói mais do que parece.
Toda ceia carrega as ceias de antes. O Natal de hoje traz o Natal da sua infância, o ano em que faltou alguém na mesa, a cadeira que ficou vazia, a festa que terminou em briga, a saudade de quem não está mais. Você senta para comemorar, e sem querer o corpo abre a gaveta de todos os outros fins de ano.
Para quem perdeu alguém, essa é a época mais difícil do calendário. Para quem teve uma infância difícil, é quando a ferida reabre. E ninguém avisa isso, porque todo mundo está dizendo para você ser feliz.
O convívio familiar: a mesa por obrigação
E tem a família.
Nem toda reunião de família é aconchego. Muita gente passa o ano inteiro longe de certas pessoas e, no fim do ano, se sente obrigada a sentar na mesma mesa que elas. É o convívio por obrigação, aquele que você faz porque "é Natal", mesmo quando faz mal.
Aí vêm as perguntas que parecem inocentes e não são. E o casamento, e o filho, e o emprego, e quando você vai. Vêm as comparações, as cobranças disfarçadas de preocupação, os assuntos antigos que voltam à tona. Você chega tensa só de pensar, e sai esvaziada.
Quero te dizer uma coisa com clareza: você não deve presença a quem te machuca. Está tudo bem colocar limite, chegar mais tarde, sair mais cedo, ou escolher não ir. Cuidar de você também é cuidado, mesmo no fim do ano.
O que fazer para atravessar as festas
Algumas coisas ajudam a passar por essa época com mais leveza:
- Baixe a expectativa. Não precisa ser o Natal perfeito da propaganda. Pode ser só um dia tranquilo.
- Escolha onde você vai e por quanto tempo. Você pode ir a um lugar e não a outro, ficar duas horas em vez de o dia inteiro.
- Prepare uma resposta curta para as perguntas invasivas, e permita-se não responder. "Está tudo no meu tempo" já basta.
- Reserve um tempo só seu no meio da correria, nem que seja uma caminhada, um banho demorado, um canto quieto.
- Respire quando apertar. Puxe o ar devagar e solte mais devagar ainda. Isso avisa o corpo de que o perigo não é agora.
Essas coisas aliviam o momento. Mas se a ansiedade volta todo fim de ano, do mesmo jeito, vale olhar mais fundo.
Quando a ansiedade do fim de ano não é só do fim de ano
Se todo dezembro é assim, se a mesma aflição retorna sempre na mesma época, isso é um sinal. O corpo está guardando uma memória ligada àquela data, e enquanto essa raiz não é vista, ela volta a cada ano, pontual.
É aqui que eu trabalho. A minha terapia para ansiedade é online, e eu vou atrás da raiz do que mantém o seu corpo em alerta, inclusive do que ficou preso a uma época do ano. Eu uso um mapa corporal para encontrar onde está o bloqueio e de quando ele é. Quando essa memória é vista e ressignificada, muitas clientes contam que o fim de ano deixa de ser esse campo minado.
Você não precisa reviver nada nem lembrar de tudo. Só precisa estar presente. E cada corpo tem o seu tempo, eu não prometo cura.
Se a sua ansiedade não é só no fim de ano, veja também por que a ansiedade não passa mesmo com terapia e a relação entre ansiedade e insônia.
Perguntas frequentes
Por que fico ansiosa no fim de ano?
Porque o fim de ano junta balanço, cobrança, correria e expectativa, e porque a época é um gatilho: o cheiro, a música e a data fazem o corpo trazer de volta a ansiedade de outros anos.
Como lidar com a ansiedade nas festas?
Baixe a expectativa, escolha onde e por quanto tempo você fica, permita-se não responder a perguntas invasivas, reserve um tempo só seu e respire devagar quando apertar.
Por que o Natal mexe tanto comigo?
Porque toda ceia carrega as ceias de antes: ausências, saudade, natais difíceis. A data reabre o que ficou guardado.
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Roseli Franceschini Terapeuta integrativa, método 7Healings. Mais de 350 pessoas atendidas desde 2022, 100% online, no Brasil e na Europa. Conheça a minha história e formação.
O fim de ano não precisa apertar todo ano
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