Você acorda de madrugada com o coração disparado, a cabeça já no dia seguinte, e não consegue mais dormir. De dia, aquela sensação de aperto não vai embora. Você faz terapia, entende de onde vem, faz tudo certo. E a ansiedade continua ali.
Se é isso que acontece com você, este texto é para ler com calma. Eu reuni aqui o que dá para afirmar com segurança: o que significa quando a ansiedade não passa, quantas pessoas sentem o mesmo, quais sintomas aparecem, o que fazer na crise e no dia a dia, e onde entra o meu trabalho. Cada número vem com a fonte, e eu separo com clareza o que a ciência mostrou do que eu observo no meu atendimento.
Resposta curta: uma ansiedade que dura a maior parte dos dias por seis meses ou mais pode ser o que o Manual MSD chama de transtorno de ansiedade generalizada, e isso pede avaliação médica. O diagnóstico é de médico ou psicólogo. Só que, quando a pessoa já faz tratamento e a ansiedade não passa, quase sempre falta olhar para a raiz, que é onde eu trabalho. Os dois caminhos andam juntos.
Neste artigo
- O que significa quando a ansiedade não passa?
- Quantas pessoas têm ansiedade no Brasil e no mundo?
- É normal sentir ansiedade todos os dias?
- Sintomas e sensação de ansiedade que não passa
- Ansiedade sem motivo: será que é sem motivo mesmo?
- Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?
- O que fazer quando a crise de ansiedade não passa?
- Como aliviar a ansiedade na hora e antes de dormir
- Ansiedade que não passa com remédio ou terapia: o que olhar
- Por que a minha ansiedade não passa mesmo fazendo terapia?
- A ansiedade pode ser herdada?
- Qual o pior horário da ansiedade? Por que acordo de madrugada com o coração acelerado
- Como é o meu trabalho na prática
- A 7Healings substitui a minha terapia ou o meu remédio?
O que significa quando a ansiedade não passa?
Sentir ansiedade de vez em quando é normal e até útil. Ela vira um problema de saúde quando não tem motivo claro, quando é desproporcional, ou quando não vai embora e começa a atrapalhar o seu dia, o seu sono e as suas relações.
O Manual MSD descreve que, quando a preocupação excessiva aparece em mais dias do que não aparece, por seis meses ou mais, junto com outros sintomas, o quadro pode ser um transtorno de ansiedade generalizada. Esse prazo de seis meses é o que separa um período ruim de algo que merece avaliação. Quem faz esse diagnóstico é um médico ou psicólogo, depois de ouvir você e, quando necessário, descartar causas físicas.
Quantas pessoas têm ansiedade no Brasil e no mundo?
Muitas, e você não está sozinha nisso. Estes são os números mais atuais que encontrei, cada um com a sua fonte:
de pessoas no mundo tinham um transtorno de ansiedade em 2023, cerca de 5,8% da população mundial. São os transtornos mentais mais comuns do planeta.
Organização Mundial da Saúde (OMS)pessoas com transtorno de ansiedade recebe tratamento. A própria OMS afirma que existem tratamentos altamente eficazes.
Organização Mundial da Saúde (OMS)dos adultos brasileiros disseram já ter recebido diagnóstico médico de ansiedade. Entre as mulheres, 34,2%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 31,6%.
Covitel 2023, Vital Strategies e Universidade Federal de Pelotas (9 mil entrevistas por telefone)afastamentos do trabalho por transtornos de ansiedade em 2025, dentro de mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número em uma década e 15% a mais que no ano anterior.
Ministério da Previdência Social (INSS), dados de 2025Vale entender que esses números medem coisas diferentes. A OMS estima quantas pessoas vivem hoje com um transtorno de ansiedade. A pesquisa brasileira perguntou se a pessoa já recebeu um diagnóstico médico. Por isso não dá para comparar um com o outro. A OMS também aponta que há mais mulheres do que homens com transtorno de ansiedade e que os sintomas costumam começar na infância ou na adolescência. Se você sente que está sozinha nisso, os números dizem o contrário.
É normal sentir ansiedade todos os dias?
Sentir um pouco diante de algo difícil é normal. Sentir ansiedade quase todos os dias, a ponto de ela ocupar a sua cabeça na maior parte do tempo, já não é algo para ignorar. Quando a ansiedade e a preocupação excessiva aparecem em mais dias do que não aparecem, por seis meses ou mais, o Manual MSD descreve isso como transtorno de ansiedade generalizada.
Além da preocupação, a pessoa costuma ter três ou mais destes sintomas: agitação ou sensação de estar no limite, cansaço fácil, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e problemas de sono. Segundo a mesma fonte, o transtorno afeta cerca de 2% dos adultos no mundo a cada ano, e as mulheres têm cerca de duas vezes mais probabilidade de desenvolvê-lo. Sentir todos os dias não quer dizer que você é fraca. Quer dizer que vale procurar avaliação.
Sintomas e sensação de ansiedade que não passa
A ansiedade não fica só na cabeça. Ela aparece no corpo, e muita gente procura o médico achando que é do coração ou do estômago. Entre as sensações mais comuns que as pessoas descrevem e que aparecem nos materiais médicos estão:
- Aperto no peito ou coração acelerado
- Falta de ar ou sensação de não conseguir respirar fundo
- Um nó ou aperto na garganta
- Aperto ou "frio" na barriga, enjoo, intestino alterado
- Tensão muscular, principalmente no pescoço e nos ombros
- Tontura, formigamento, suor nas mãos
- Cansaço que não melhora nem dormindo
- Tremores no corpo
- Dificuldade para dormir
- Ter a sensação de perigo iminente, pânico ou pensamentos negativos, desgraça iminente
O Manual MSD lista a tensão muscular, o cansaço fácil e os problemas de sono entre os sintomas do transtorno de ansiedade generalizada, e descreve palpitações, falta de ar, suor e tremores entre os sinais de uma crise. O mais importante: esses mesmos sintomas também aparecem em problemas do coração, da tireoide e dos pulmões. Por isso, se eles são novos, fortes ou te assustam, o primeiro passo é uma avaliação médica para descartar causa física.
Ansiedade sem motivo: será que é sem motivo mesmo?
Muita mulher me diz a mesma coisa: "Roseli, me dá uma ansiedade do nada, sem motivo nenhum". Eu entendo a sensação, mas, no que eu vejo, quase nunca é sem motivo. Quase sempre existe um gatilho, e a pessoa está em contato com ele o tempo todo sem perceber.
O corpo registra muito mais do que a gente lembra. Não guarda só a cena que aconteceu, guarda também a temperatura daquele dia, o tempo lá fora, um cheiro, um sabor de comida, um som. Então um cheiro que passa na rua, um dia nublado, uma música no rádio podem ligar a ansiedade de repente, e você jura que veio do nada. Não veio. Veio de algo que o seu corpo guardou e reconheceu antes da sua cabeça entender. Por isso eu não trato esse "sem motivo" como mistério: eu vou atrás do motivo, que costuma estar numa memória que ficou. Quando essa memória é vista, o gatilho perde a força.
Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?
Uma crise de pânico, aquela que vem de repente com o coração disparado e a sensação de que algo terrível vai acontecer, costuma atingir o pico em cerca de 10 minutos e desaparecer em alguns minutos, segundo o Manual MSD. Ela é muito assustadora, mas a crise em si tem começo, meio e fim.
O que muitas pessoas chamam de "crise que não passa" é outra coisa: um estado de ansiedade que fica dias, semanas ou meses, sem o pico da crise de pânico, mas sem ir embora. Esse é o quadro que mais pede avaliação, porque não é uma tempestade que passa, é um tempo ruim que se instalou. Sobre qual crise seria "a mais perigosa", a resposta honesta é que a crise de pânico assusta, mas o maior risco é confundir os sintomas com um problema do coração e não procurar ajuda, ou o contrário, achar que é ansiedade quando o corpo está avisando de outra coisa. Na dúvida, procure um pronto atendimento.
O que fazer quando a crise de ansiedade não passa?
Se é uma crise agora
- Lembre que a crise tem começo e fim. Segundo o Manual MSD, os sintomas de uma crise de pânico costumam atingir o pico em 10 minutos e depois cedem. Repetir isso para si mesma já tira um pouco do medo do medo.
- Respire devagar, de forma controlada. É a orientação da mesma fonte durante o ataque, junto com outras técnicas de relaxamento. Solte o ar mais devagar do que você puxa.
- Procure atendimento se for intenso ou persistente. Dor no peito e falta de ar também aparecem em doenças do coração e dos pulmões, e só um médico consegue diferenciar. Na dúvida, procure um pronto atendimento.
Se já dura semanas ou meses
- Conte para quem te acompanha que você não está melhorando como esperava. Médico, psiquiatra, psicóloga. Dizer isso em voz alta faz parte do tratamento, e é a partir daí que eles podem rever o que for preciso.
- Não interrompa nenhum remédio por conta própria. Qualquer mudança na medicação é decisão do seu médico, junto com você.
- Anote quando a ansiedade aparece. Horário, lugar, o que tinha acontecido antes. Isso ajuda quem te acompanha, e ajuda você a enxergar o padrão.
- Se vierem pensamentos de se machucar, procure ajuda agora. No Brasil, o CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188.
Como aliviar a ansiedade na hora e antes de dormir
Não existe um botão que desliga a ansiedade, e eu não vou te prometer isso. Mas algumas coisas simples costumam tirar o corpo do estado de alerta e dão um alívio real enquanto você cuida da raiz:
- Respiração lenta. Puxe o ar contando até quatro e solte contando até seis. Soltar mais devagar do que puxa sinaliza para o corpo que o perigo passou. É a lógica das técnicas de relaxamento que o Manual MSD cita.
- Traga a atenção para o agora. Olhe ao redor e nomeie o que você vê, ouve e sente. Isso tira a cabeça do "e se" e a traz para o lugar onde você está de verdade.
- Antes de dormir, baixe o ritmo mais cedo. Menos tela, menos notícia e menos café no fim do dia ajudam o corpo a entender que é hora de desligar.
- Mexa o corpo durante o dia. Uma caminhada, um alongamento. O excesso de energia da ansiedade precisa de uma saída.
Essas são estratégias de alívio, não um tratamento. Elas ajudam a atravessar o momento. Para a ansiedade parar de voltar, é preciso olhar para o que a mantém acesa.
No meu canal do YouTube você encontra vídeos com técnicas que te ajudam a atravessar esse momento.
Ansiedade que não passa com remédio ou terapia: o que olhar
Isso existe, e a medicina conhece. Uma revisão publicada em 2020 na revista científica The Mental Health Clinician aponta que cerca de metade das pessoas tratadas para transtorno de ansiedade generalizada não responde de forma adequada ao primeiro tratamento. Ou seja, se o seu primeiro tratamento não resolveu, você está longe de ser exceção.
Para o transtorno de ansiedade generalizada, o Manual MSD descreve a terapia cognitivo-comportamental como o tratamento mais benéfico e diz que os antidepressivos são eficazes, mas podem levar algumas semanas para agir. Quando nada disso traz a melhora esperada, o caminho começa por reavaliar. A mesma revisão orienta confirmar o diagnóstico e checar o tratamento e a adesão a ele antes de considerar que o caso não responde.
Por isso o primeiro passo continua sendo voltar ao seu médico e à sua psicóloga. E, em paralelo, vale olhar para o que a conversa nem sempre alcança.
Por que a minha ansiedade não passa mesmo fazendo terapia?
Não existe uma resposta só, e eu não vou fingir que existe. O que eu posso fazer é contar o que vejo no meu trabalho.
Muitas vezes a raiz da ansiedade não está só na sua história. Você conversa, entende, faz tudo certo, e o peito continua apertado. Na minha experiência, isso acontece quando o que alimenta a ansiedade está guardado no corpo e em memórias que vieram antes de você, na sua família. Falar sobre o problema ajuda a entender, mas nem sempre chega nesse lugar.
Isso também aparece quando a mulher tem tudo para estar bem e se sente mal mesmo assim, sem motivo aparente. Muitas mulheres que atendo repetem um padrão que já existia na família muito antes delas.
Nada disso quer dizer que a sua terapia está errada, nem que você deva largá-la. E nem todo sintoma tem como causa principal o emocional. Por isso o acompanhamento médico continua importante, mesmo quando se olha para a raiz.
A ansiedade pode ser herdada?
Em parte, sim, e isso a ciência já mediu. Um estudo com gêmeos publicado em 2025 na revista Psychological Medicine, do King's College de Londres, estimou que fatores genéticos explicam de 39% a 46% das diferenças entre as pessoas na ansiedade generalizada, e chegam a cerca de 60% na parte da ansiedade que se mantém estável ao longo dos anos. Na prática, isso quer dizer que parte da sua tendência à ansiedade você herdou, mas boa parte vem das suas próprias experiências de vida.
Isso é genética. O que eu chamo de memórias que vieram antes de você é uma outra coisa, e vou ser clara sobre a diferença.
Na minha prática, eu vejo isso em quase todas as sessões. Uma perda que a sua mãe viveu na gravidez. Um medo que a sua avó carregou calada. A obrigação de dar conta de tudo, passada de mulher para mulher. Você não viveu aquilo, mas o seu corpo reage como se tivesse vivido. Quando essa memória é vista e ressignificada, muita coisa muda.
Esse é o ponto de partida da 7Healings, o método que eu atendo, desenvolvido pela Dra. Roberta Rocco. Ele parte da ideia de que o corpo guarda o que foi vivido desde a gestação e, por vezes, desde a ancestralidade. Quando uma memória que o corpo não conseguiu processar é desbloqueada, ele volta a se reequilibrar.
Vale ser clara sobre uma coisa: essa é a forma como o método entende o corpo, e é o que eu observo no meu atendimento.
Qual o pior horário da ansiedade? Por que acordo de madrugada com o coração acelerado
Não existe um horário oficial em que a ansiedade seja pior, mas muitas pessoas que atendo contam a mesma cena: acordam de madrugada, por volta das 3 ou 4 da manhã, com o coração disparado e a cabeça já no dia seguinte, e não conseguem mais dormir. Os problemas de sono estão entre os sintomas que o Manual MSD lista para o transtorno de ansiedade generalizada.
Na minha experiência, isso acontece porque o corpo continua em estado de alerta mesmo quando você está deitada. De dia há mil coisas para ocupar a mente. De madrugada, no silêncio, o que estava guardado vem à tona. É o corpo reagindo a algo que ainda não foi resolvido. Por isso o remédio para dormir pode ajudar na noite, mas, no que eu vejo, não tira o corpo desse estado de alerta. Se você usa algum, siga o que o seu médico orientou.
A ansiedade e a insônia costumam andar de mãos dadas, e isso merece um texto só para elas, que eu ainda vou escrever aqui no blog.
Como é o meu trabalho na prática
Por anos eu vivi crises de ansiedade, insônia e dores nas costas, e tratava cada sintoma separadamente, sem nunca chegar à raiz. A virada veio quando conheci a 7Healings. O meu próprio caminho passou por revisitar memórias ancestrais e de infância. Desde 2022 ajudo pessoas, principalmente mulheres, a acessar, ver e ressignificar os padrões que sustentam a ansiedade. Conheça a minha história e formação.
A sessão é online, por videochamada, pelo Google Meet. Eu uso um mapa corporal para encontrar onde estão os bloqueios e a data em que aconteceram, e passo para você a leitura emocional ou física. Você não precisa lembrar de nada nem reviver o que doeu para que haja melhora. Só precisa estar presente.
A primeira sessão dura cerca de 2 horas, e as seguintes, cerca de 1 hora. Em média são de 3 a 4 sessões. Casos mais intensos podem precisar de 5 a 8, com intervalo de 30 a 60 dias entre elas, que é o tempo que, segundo o método, o corpo leva para processar cada camada. Muitas clientes contam que já sentem diferença depois do primeiro encontro, como um sono mais tranquilo ou o peito mais leve. Cada corpo tem o seu tempo.
Se você quer ver as dúvidas mais comuns antes de falar comigo, elas estão nas perguntas frequentes.
A 7Healings substitui a minha terapia ou o meu remédio?
Não. A 7Healings é um complemento e caminha junto com o seu acompanhamento médico e psicológico. Você não precisa largar nada do que já faz para começar.
Você continua tomando tudo o que o seu médico receitou. Qualquer mudança na medicação é decisão dele, junto com você, e nunca minha.
Importante: eu não sou médica nem psicóloga e não faço diagnóstico. Se a sua ansiedade vem junto de sintomas físicos que te preocupam, o médico vem primeiro. O que eu faço é ir atrás da raiz do sintoma e desbloquear o que o corpo não conseguiu processar, para que ele volte a se reequilibrar. Caminha junto, não no lugar.
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Roseli Franceschini Terapeuta integrativa, método 7Healings. Mais de 350 pessoas atendidas desde 2022, 100% online, no Brasil e na Europa. Atende também cães, gatos e cavalos. Conheça a minha história e formação.
Fontes citadas:
Organização Mundial da Saúde. Anxiety disorders (ficha informativa, dados de 2023). Ler na OMS.
Covitel 2023, Vital Strategies e Universidade Federal de Pelotas, 9 mil adultos entrevistados por telefone de janeiro a abril de 2023. Reportagem com os números e release da pesquisa.
Ministério da Previdência Social, afastamentos concedidos pelo INSS em 2025, divulgados em maio de 2026. Reportagem com os números.
Manual MSD, versão saúde para a família. Transtorno de ansiedade generalizada e Ataques de pânico e síndrome do pânico.
Ansara, E. D. Management of treatment-resistant generalized anxiety disorder. The Mental Health Clinician, 2020. Ler o estudo.
Funk, J., Morneau-Vaillancourt, G., Palaiologou, E., Eley, T. C. Heritability of generalized anxiety stability: a longitudinal twin study among young adults. Psychological Medicine, 2025. Ler o estudo.
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