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Luto pela perda de um pet: por que dói tanto e quase ninguém entende

Por Roseli Franceschini, terapeuta integrativa · 19 de outubro de 2026

Você chega em casa e ninguém vem te receber. Vai ao banheiro e para na porta, porque ele sempre entrava junto. Olha para o canto do sofá e o canto está vazio. Na hora do passeio, a mão vai sozinha buscar a guia.

Os dias passam e a casa continua quieta demais. E ainda tem alguém que pergunta, sem maldade nenhuma: "mas era só um gato?"

Se isso aconteceu com você, esse texto é para você. O que você sente tem nome, tem explicação e não tem nada de exagero.

Neste artigo
  1. Por que a perda de um bichinho dói tanto
  2. Luto não reconhecido: o nome do que você está vivendo
  3. O que a pesquisa já mostra
  4. O que é normal sentir
  5. O que muita gente tenta e não resolve
  6. O que ajuda de verdade
  7. Quando procurar ajuda profissional
  8. Onde a 7Healings pode ajudar

Por que a perda de um bichinho dói tanto

Ele estava ali todos os dias. A sua manhã tinha a hora da comida, o passeio, o barulho das patas no chão. A noite tinha o corpo dele encostado no seu. Para muita gente, o pet é a companhia com quem mais se passa o dia.

Para quem mora sozinha, ele era companhia 24 horas. Quando ele morre, você perde o bichinho e perde junto a rotina inteira que girava em volta dele.

Quem nunca teve um animal em casa dificilmente imagina o tamanho do espaço que ele ocupava. Por isso a reação de fora costuma ser pequena perto do que acontece por dentro.

Luto não reconhecido: o nome do que você está vivendo

Existe um nome para esse tipo de dor: luto não reconhecido, também chamado de luto não franqueado ou não autorizado. O conceito foi proposto pelo pesquisador Kenneth Doka, em 1989, para falar da dor de quem perde alguém importante e não recebe da sociedade o direito de sofrer por isso.

No caso do pet, isso aparece em frases que todo mundo já ouviu:

Tem gente que precisa mentir no trabalho. Diz que está doente, porque falar "meu gato morreu e eu não tenho condição de trabalhar hoje" parece não ser motivo suficiente. E quem escuta isso algumas vezes aprende a esconder.

O que a pessoa perde, nesse caso, é duplo: perde o bichinho e perde o direito de ficar mal por isso.

Uma curiosidade: em alguns lugares a lei já foi na frente. Em Santa Catarina, desde 2018, cães e gatos são reconhecidos em lei como seres sencientes, sujeitos de direito, que sentem dor e angústia (Lei 17.526/2018, que alterou a Lei 17.485/2018). Se a lei reconhece que eles sentem, não faz sentido você precisar se explicar por sentir a falta deles.

O que a pesquisa já mostra

Em janeiro de 2026, o pesquisador Philip Hyland, da Universidade de Maynooth, na Irlanda, publicou na revista PLOS One um estudo com 975 adultos do Reino Unido, comparando o luto por pessoas e por pets.

Os manuais de diagnóstico de hoje só reconhecem esse quadro depois da morte de uma pessoa, e o autor defende que isso seja revisto. É um único estudo, feito em um país, então vale como um sinal importante e não como a última palavra. Mas ele confirma o que muita gente já sabia por dentro.

O que é normal sentir

Nas primeiras semanas, é comum:

Tudo isso faz parte. Não existe prazo certo, e cada pessoa tem o seu ritmo, com dias melhores e dias piores.

O que muita gente tenta e não resolve

A maioria tenta seguir o dia como se nada tivesse acontecido: volta ao trabalho, enche a agenda, evita falar no assunto para não incomodar ninguém. Funciona por algumas horas. À noite, a casa continua quieta.

E tem um erro que quase todo mundo comete sem perceber: usar contra si mesma as palavras que usaram contra você. "Era só um bicho, eu não devia estar assim." Quando você se julga desse jeito, a dor continua do mesmo tamanho, e agora você sofre sozinha e ainda se cobra por sofrer.

O que ajuda de verdade

Quando procurar ajuda profissional

Vale buscar apoio de um profissional de saúde quando, depois de semanas:

Pode ser um psicólogo, um psiquiatra ou um terapeuta de confiança, como eu. O importante é ser alguém que leve o luto de pet a sério, como um luto de verdade.

Se a dor ficar grande demais para carregar sozinha, procure ajuda agora. No Brasil, o CVV atende 24 horas, de graça, pelo telefone 188. Você também pode ir ao pronto atendimento mais próximo.

Onde a 7Healings pode ajudar

Eu sou terapeuta integrativa e trabalho com a 7Healings, online. Com quem perdeu um bichinho, costumam aparecer a cena da última noite que volta, a decisão que ficou pesando e a culpa que não sai, além da saudade.

A 7Healings olha para essas memórias que ficaram guardadas e ajuda a ressignificar o que ficou, para que a saudade possa existir sem pesar tanto. Em geral são 3 a 4 sessões, e cada pessoa no seu tempo. Ela caminha junto com o acompanhamento psicológico ou médico, quando ele é necessário, e não no lugar dele.

E se o outro animal da casa ficou diferente depois da perda, eu atendo cães, gatos e cavalos também. Veja como funciona a terapia para animais.

O luto é essa fase em que a vida continua, mas nunca mais é a mesma. E tudo bem. Ele viveu com você, e isso fica.

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Roseli Franceschini

Roseli Franceschini Terapeuta integrativa, método 7Healings. Mais de 350 pessoas atendidas desde 2022, 100% online, no Brasil e na Europa. Atende também cães, gatos e cavalos. Conheça a minha história e formação.

Fontes citadas:
Hyland, P. No pets allowed: Evidence that prolonged grief disorder can occur following the death of a pet. PLOS One, 14 de janeiro de 2026. Universidade de Maynooth, Irlanda. Ler o estudo.
Doka, K. J. Disenfranchised Grief: Recognizing Hidden Sorrow, 1989.
Santa Catarina. Lei 17.526, de 28 de maio de 2018, que altera a Lei 12.854/2003 (Código Estadual de Proteção aos Animais). Ler a lei.

Se esse luto está pesando, me conta

Me chama no WhatsApp. Eu ou a minha secretária te respondemos, e eu te digo com franqueza se é algo em que eu posso ajudar.

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